sexta-feira, 28 de agosto de 2009

CONJUGA-ME



Conjuga-me em seus delírios e crave-me no peito o punhal de suas afetividades.
Repagine o meu espírito com um repertório de sentimentos novos, para que eu construa um script, sem de palavras, nos meus debates existenciais.
Não necessito das narrativas para sonhar.
Minha sensibilidade se expõe ao seu bel prazer.
Não é aguçada por nenhum método ou teoria.
É dramática por si só e seu pretérito é imperfeito. E como é!
Mas é simples, sem forma, sem receitas.
As tonalidades de seus sonhos variam com as estações da alma. E as luzes de seus horizontes mudam o brilho conforme a brisa dos sentimentos.
Tem vôos rasantes.
Tem direções contrárias.
Tem rumos sem rumos.
Tem livros sem páginas.
Tem capítulos sem final.
Tem história sem parágrafos.
Tem estoque de desejos.
Tem desejos parcelados a perder de vista.
Tem em vista as urgências de alguns anseios que não podem ser a prestação.´
Minha alma conjuga-se com os esconderijos do silêncio.
Conjuga-se com as marcas deixadas na calçada da experiência.
Conjuga-se com o deslumbramento do olhar para um céu estrelado.
Conjuga-se, de um jeito gostoso e especial, com a curiosidade do que possa existir depois da montanha.
Conjuga-se com as incertezas de onde a vida possa me levar.
Conjuga-se com um carinho, com um chamego, com um cafuné, com um dengo, com um telefonema, com uma pergunta, com uma interjeição.
Conjuga-se com uma frescura, com uma conversa ao pé do ouvido, com as contradições, com um perfume bom.
Conjuga-se com o pulsar do coração.
Do meu, do seu, do nosso.
Rosa Berg

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O QUE IMPORTA



O que importa o que pensam de nós, se podemos dormir sossegados com as nossas consciências.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

COBIÇO O SOL NESSA MINHA CARA DE CHUVA



Ponto de partida.
Eu e os meus contrapontos, nas suas complexas conexões.
Entre o branco e o preto, ilógica e incoerente minha alma navega em estado apocalíptico nos debates íntimos do paraíso perdido.
Sentimentos escondem-se em narrativas cifradas por suas rochas subterrâneas.
Uma forma crua de acesso aos sons desafinados dos desejos e anseios estanques revelados no universo onírico de minha alma alarmada diante de mim mesma.
Na ordem desordenada do abalo sísmico do abismo que me guarda e me amedronta, me debruço e invoco a calma.
Quero uma calma mediática, harmônica e voraz.
Quero pensamentos mágicos roubando-me desse isolamento que me prende, com uma âncora, às esquinas de meus medos e às zonas de turbulências.
Minha urgência reflete-se no visível, no grito da alma, nos sentimentos bailarinos de minhas veias, no cansaço da tristeza, nos sonhos caídos por terra, nas distâncias insanas, nas sintonias dessintonizadas.
Coração está asilado. Sufocado. Sentimentos no avesso.
Cobiço o sol nessa minha cara de chuva, porque a vida não peguei emprestada.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

AMOR PIRATEADO



Olho no espelho, e sentir-me não está fácil.
Dentro de mim, anjos e demônios se digladiam para ver quem ganha.
É o tempo.
O tempo da espera.
O tempo da demora para eu desmoronar diante dos obstáculos do cotidiano - distâncias e saudades na contramão da indiferença do silêncio, das mentiras e omissões, que como setas, me acertam.
Fantasias frustradas e sonhos congelados roubam a cena no meu palco de luzes apagadas.
Olho nos meus olhos sem óculos, numa recusa proposital em enxergar a minha auto-tortura, ou minha loucura. Quem sabe!
Porque a negação abriga sempre uma forma de loucura. Branda talvez! Mas loucura.
Tenho urgência!
Preciso preservar minha integridade e meus sentimentos têm um encontro com a verdade.
E a verdade é que liguei a chave de ignição, não verifiquei o freio e me joguei nessa viagem quando fui convidada, curtindo com sofreguidão a paisagem.
Céu, lua, estrela, estrada, sonhos, projetos, mimo e carinho- um pacote impossível de se rejeitar.
Nem ao menos tive o trabalho de verificar se tudo isso era original.
Paixão a primeira vista.
Depois amor a perder de vista.
No perder de vista, chegaram as prestações: abandono, solidão, amor pirateado.

Rosa Berg

terça-feira, 18 de agosto de 2009

CONJUGA-ME

Conjuga-me em seus delírios e crave-me no peito o punhal de suas afetividades. Repagine o meu espírito com um repertório de sentimentos novos, para que eu construa um script, sem palavras, nos meus debates existenciais. Não necessito das narrativas para sonhar. Minha sensibilidade se expõe ao seu bel prazer. Não é aguçada por nenhum método ou teoria. É dramática por si só e seu pretérito é imperfeito. E como é! Mas é simples, sem forma, sem receitas. As tonalidades de seus sonhos variam com as estações da alma. E as luzes de seus horizontes mudam o brilho conforme a brisa dos sentimentos. Tem vôos rasantes. Tem direções contrárias. Tem rumos sem rumos. Tem livros sem páginas. Tem capítulos sem final. Tem história sem parágrafos. Tem estoque de desejos. Tem desejos parcelados a perder de vista. Tem em vista as urgências de alguns anseios que não podem ser a prestação. Minha alma conjuga-se com os esconderijos do silêncio. Conjuga-se com as marcas deixadas na calçada da experiência. Conjuga-se com o deslumbramento do olhar para um céu estrelado. Conjuga-se, de um jeito gostoso e especial, com a curiosidade do que possa existir depois da montanha. Conjuga-se com as incertezas de onde a vida possa me levar. Conjuga-se com um carinho, com um chamego, com um cafuné, com um dengo, com um telefonema, com uma pergunta, com uma interjeição. Conjuga-se com uma frescura, com uma conversa ao pé do ouvido, com as contradições, com um perfume bom. Conjuga-se com o pulsar do coração. Do meu, do seu, do nosso.
Rosa Berg

QUERO FICAR NUA



Quero ficar nua!
Rasgar as minhas vestes da saudade.
Arrancar, da cabeça, minhas verdades.
E dos meus poros, as minhas vontades.

Quero ficar nua!
Extrair os rótulos dos meus sentimentos.
Deixar as lembranças se perderem com o vento.
E sair por aí, rumo ao esquecimento.

Quero ficar nua!
Totalmente despida da angustia da espera.
Livre do conflito alucinante que reverbera,
por todo o meu ser, como o rugir de uma fera.

Quero ficar nua!
E sair por aí andando sem as algemas
do desejo trôpego de ter você como tema
para esse amor sedento e completamente cego

Quero ficar nua!
Para sentir a chuva molhar a minha alma.
E assim, me abandonar, livre e calma,
no aconchego dos versos da lua, em mim.

Rosa Berg

SENTIMENTOS SEM CLICHÊS



SENTIMENTOS SEM CLICHÊS

Pouso o meu olhar sobre mim mesma, sobre meus sentimentos, sobre os meus sonhos, sobre minha alma, como um artesão buscando inspiração para o seu ofício.
Ando precisando fazer uma releitura das minhas ambientações internas nos moldes de um artista plástico quando da criação de um novo design e de uma nova estética.
A estrutura arquitetônica e o estado de conservação de meus sonhos estão visivelmente abalados nas suas de estruturas poéticas.
Abro as portas do meu coração para resgatar e preservar as emoções silenciadas e estocadas nos armazéns de minhas lembranças.
Meu espírito critico e inquieto anda cochilando pelos botequins dos pensamentos viciados e anseios confusos.
Preciso do cheiro de perfume bom em minha pele.
Quero essa minha alma atrapalhada caminhando pela vida fotografando sentimentos sem clichês.
Quero um beijo da lua no meu rosto de presente.
Quero beber a lágrima da saudade, num cálice de cristal.
Quero pescar risos de alegria, nas horas do meu dia
Quero a surpresa da frase feita de uma poesia.
Não quero sonhos sem futuro.
Quero cuidar de mim.
Rosa Berg


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